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Só quero o melhor para os meus filhos!

By 5 Abril, 2019Reflexão

– Fico desesperado por o meu filho não tirar melhores notas. Quer dizer, as notas não são más, mas também não são excelentes!

– E porque é isso importante para ti?

– Então, para o miúdo ter uma vida melhor, para ter mais sucesso!

– Tirar melhores notas garante mais sucesso? E, já agora, de que sucesso estás exatamente a falar?

Já tive centenas de conversas como esta. Os pais (eu incluído) querem o melhor para os filhos. Desejam que estes possam ter uma boa vida. Pelo menos, é o que me dizem! Em alguns casos, desconfio e explico já porquê. Voltemos à vontade de que os filhos possam ter sucesso. De que sucesso especificamente estamos a falar?

 

Quando faço esta pergunta, recebo respostas como “ter um bom emprego que dê para pagar as contas”, “ser alguém na vida”, “não ficar para trás”, “destacar-se e deixar os pais orgulhosos”, “não passar pelas mesmas dificuldades que os pais”. Raramente recebo uma definição clara de sucesso. Ora sem uma definição clara de intenções, fica difícil selecionar as melhores estratégias. O que fazemos nesse caso? Corremos as estratégias que estão condicionadas por defeito, aquelas que são socialmente normais.

 

Cada vez mais pais, porém, aceitam o questionamento e refletem sobre o que verdadeiramente querem para os filhos. E percebem também que a melhor forma de o promover não é necessariamente através do velho processo de portar bem na escola >> tirar um bom curso >> arranjar um bom emprego >> assentar e constituir família. Até porque esse processo já não existe, literalmente! Pois se a maior parte dos “bons empregos” do ano 2030 são em profissões que ainda nem sequer existem, como podemos então forçar o velho caminho, o da conformidade, o do seguir as tabuletas do sucesso?

 

Queremos que os nossos filhos sigam esse caminho porquê? Porque achamos que esse caminho lhes pode dar mais segurança, mais reconhecimento, melhores condições de vida. Este é o ponto importante! Se realmente é isto que queremos, então podemos fazer melhores perguntas em redor disto. Como por exemplo, podemos questionar-nos sobre quais as competências certas para desenvolver num cenário que, ao contrário do das últimas décadas, é incerto, volátil, dinâmico. E aí, o jogo começa a mudar. Começamos a preocupar-nos menos com as notas e mais com a criatividade, menos com o “bom comportamento” e mais com a capacidade de estabelecer relações positivas, menos com a escolha do curso e mais com a competência de olhar para dentro e entender o seu propósito.

 

Cada vez mais pais se ligam a esta nova realidade. Outros, porém, ficam presos pelo medo – “eu até gostava mas é melhor jogar pelo seguro”. E outros ainda não conseguiram ainda realmente estabelecer claramente que querem que os filhos tenham uma boa vida. Dizem que sim, mas fazem o contrário. Batem, violentam, achincalham, menorizam, mostrando através do seu comportamento que – provavelmente por causa do que receberam dos seus próprios pais – necessitam ainda de se conectar com a parte mais humana e profunda de si mesmos. Pois é a partir dessa parte, do nosso centro, que a parentalidade pode ser praticada na sua forma mais sublime, criando realmente condições para que os filhos possam ter uma boa vida, com boas emoções, com aprendizagens, com ligação às ideias de propósito e serviço, com desenvolvimento de empatia e contribuição positiva para a sociedade. E isso, hoje em dia, raramente passa por “portar bem, tirar boas notas e arranjar um emprego jeitoso”.

O que é então o sucesso e como educamos os nossos filhos para o sucesso? Falaremos disso mesmo no próximo episódio do Podcast IVM 😉

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