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Porque me corre tudo mal?

By 12 Abril, 2019Reflexão

O estrondo da porta a bater ouviu-se no prédio todo. Atirou com os sapatos contra o chão, antes de encostar a cabeça no punho apoiado na parede. Cerrou os dentes e deixou escapar um grunhido. Jogou-se de costas contra a porta e deixou-se escorregar até ficar sentado. Como posso ser tão burro? Horas antes, na reunião semanal do departamento, corou na hora de responder a uma pergunta do chefe. Levou uma mão à cara, quente como se estivesse com febre. Gaguejou e acabou por dizer que não sabia a resposta. Só que eu sabia a resposta! Passou a tarde a fulminar-se com questões contundentes e avaliações carregadas de crítica. Agora, prostrado na entrada do seu apartamento, abanava a cabeça em sinal de incredulidade. Como posso ser tão burro?

 

Há quem acredite que a qualidade da vida depende, sobretudo, das questões que fazemos habitualmente. Desde que ouvi isto a primeira vez que comecei a prestar atenção às perguntas que, através do discurso interno, coloco a mim próprio. E, garanto-te, é um exercício bem fascinante! Principalmente se – como eu – descobrires perguntas carregadas de pressupostos, de julgamentos e críticas. Que tipo de qualidade de vida posso ter se as questões que faço habitualmente são desse género?

 

Enquanto mantemos a conversa infindável a que chamamos de diálogo interno, recorremos a uma série de artifícios linguísticos. Como, por exemplo, fazer questões! Questões a que, quase sempre, respondemos prontamente. Se estamos habituados a formular questões focada no problema geramos resultados diferentes do que aqueles que produzimos se estamos habituados a fazer perguntas focadas na solução. É esta a razão pela qual se fala do sistema perguntas >> qualidade de vida, pois cria-se uma poderosa relação de causa >> efeito.

 

Já entrevistei clientes e alunos que usavam estruturas de questionamento habitual como:

Porque me corre tudo mal?

Como é que isto pode dar asneira?

Porque é que me lixo sempre?

Como é que fui estragar tudo outra vez?

Porque é que as pessoas são tão más?

 

Por outro lado, também já conheci muitas pessoas que, naturalmente, usavam estruturas de auto-inquérito bem diferentes:

Como é que me vou safar desta?

Porque é que mereço esta coisa boa?

Como é vou solucionar este problema?

Quem é que me vai ajudar?

O que é preciso fazer para chegar onde quero?

 

Com o passar do tempo, acompanhando estas pessoas em interação com os seus desafios na vida e no trabalho, começou a ficar óbvia a tal relação perguntas >> qualidade de vida.

 

O que fazer, então, para gerar melhores perguntas?

Bem, aprender coaching parece ser – definitivamente – um bom começo! Podes também ouvir o próximos episódio do Podcast Inspiração para uma Vida Mágica, onde eu e a Mia vamos falar sobre as perguntas que fazemos a nós próprios e os resultados que elas geram 😉

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