Perguntas Poderosas

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  • 9 Março, 2016

O escritor americano Thomas Berger afirmou que “a arte e a ciência de colocar questões é a fonte de todo o conhecimento”. Eu acrescentaria, sobre questões, que os nossos resultados são, antes de mais, consequência das perguntas que fazemos habitualmente! As perguntas são, no fundo, o que dá direção à viagem, alimentada depois pela força e criatividade das respostas. Como coach, interesso-me bastante por observar as questões que as pessoas colocam habitualmente a si mesmas e os resultados que são gerados a partir daí. E acabo frequentemente fascinado pelas alterações significativas que essas mesmas pessoas podem experienciar quando alteram essas questões habituais e as substituem por outras – sobretudo, se forem questões mais positivas e poderosas.

Em coaching avalia-se a qualidade das perguntas em função dos pressupostos que contêm. Deixa-me dar-te alguns exemplos:

  1. Porque fui fazer esta estupidez?

Esta questão contém vários pressupostos: que o que fiz foi uma estupidez, que a estupidez foi feita por mim, que existe uma ou mais razões para justificar o que fiz. Perante esta questão, inicio o processo de busca de razões ou explicações para a estupidez que fiz. Repara (e sobretudo, sente) como seria diferente perguntar a mim próprio:

Alternativa: Como fiz isto?

Deixou de existir avaliação negativa da ação (estupidez) e deixou de existir foco na busca da explicação ou justificação. Agora estou a prestar atenção ao processo que gerou o comportamento (isto) e que gerou um determinado resultado. Além de me afastar de sentimentos negativos e defensivos, esta pergunta tem um potencial de aprendizagem muito superior!

  1. Como é possível que me estejam sempre a acontecer coisas más?

Esta pergunta revela vários pressupostos: as coisas acontecem-me, as coisas que me acontecem são más, as coisas más acontecem-me sempre. Para poder responder à questão, é necessário aceitar todos estes pressupostos. E ainda por cima a questão tem um tom retórico. Repara, mais uma vez, na diferença (mental e emocional) de lidar em alternativa com uma questão diferente:

Alternativa: De que forma é que as coisas que faço acontecer me estão a ser úteis?

Agora demos, literalmente, à volta à pergunta. Os pressupostos são bem diferentes, não é? Agora pressuponho que sou eu que faço as coisas acontecerem (o que me devolve o poder) e que as coisas me são úteis de alguma forma (o que me faz procurar a sua utilidade).

Fazer boas perguntas é uma arte. Desenvolve a tua, para que possas recolher os seus benefícios. Podes começar por:

  • observar as questões que colocas a ti mesmo
  • entender os pressupostos contidos nas questões
  • avaliar o poder desses mesmos pressupostos
  • trocar os pressupostos, se necessários, por outros mais interessantes
  • fazer novas perguntas, com os novos pressupostos!

Se tens filhos com mais de 10 anos, coloca-os a fazer este exercício e pede para te ajudarem a transformas as questões que fazem no ambiente familiar.

Se fazes parte de uma equipa ou de uma organização, partilha este texto e dediquem algum tempo, em conjunto, a avaliar os pressupostos e a qualidade das perguntas que fazem habitualmente.

Lembra-te: são as questões que dão direção à tua viagem. Garante que, mesmo antes de encontrares as respostas, já vais na direção certa

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