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O medo de mudar

Sabes aquele momento em que, perante uma mudança que decidiste implementar, sentes medo ou desconforto em avançar?

É fantástico que tantas pessoas consigam reconhecer, com certa facilidade, este momento que descrevo – apesar de o ter feito de forma bastante abstracta!

Que momento, afinal, é este e porque razão é identificável por tantas pessoas como uma experiência interna? Bem, deixa-me apresentar-te a famosa “Zona de Conforto”: uma zona imaginária, formada pelos comportamentos que, por nos serem já conhecidos e até habituais, são desempenhados com conforto. Repara que conforto é bem diferente de eficiência. Ou seja, podes ter um comportamento confortável e que não gerar resultados positivos para ti! Aliás, é aqui que a questão fica mesmo interessante. Imagina o seguinte:

  1. Reparas que há um determinado comportamento que desempenhas e que não gera o resultado que queres – por exemplo, reparas que ficas irritado quando alguém, no trânsito, não cumpre uma determinada regra.
  1. Num ato de consciência, decides que queres mudar e passar a ter um outro comportamento – no exemplo, decides que queres ficar atento em vez de irritado ao notar o incumprimento de outro condutor, assim não pagas o preço emocional da irritação e ainda diminuis a probabilidade de acidente.
  1. Quando te preparas para implementar a mudança, reparas na forte atração da estratégia antiga – é mais confortável voltar a corrê-la, é mais automático e não requer grande esforço – pelo que começas a aceder à irritação e sentes que talvez não consigas implementar a mudança.
  1. Pois é, estás a lidar com o medo ou desconforto da mudança, com o medo de perder aquilo que ganhavas com a estratégia anterior! E, na experiência humana, a sensação de perder algo vem muitas vezes acompanhada de medo ou de desconforto. É medo que sentes perante a mudança: medo de não conseguir, medo de abdicar de algo condicionado, medo de mudar!
  1. Tomas a decisão de, apesar do medo e do desconforto, avançar com a mudança. Focas a tua energia em ficar atento, afastando a irritação. É difícil, percebes, e também gera um determinado resultado – notas que não ficas a pensar no outro condutor, que te voltas mais para ti, que te manténs em segurança. Respiras e achas que valeu a pena lidar com a mudança e fazer algo diferente. Na próxima situação, terás agora mais escolha!

Se o medo aparece, desta forma camuflada, numa pequena mudança, o que dizer das grandes mudanças, daquelas que parecem por em causa diretamente a nossa saúde, as nossas finanças, a nossa carreira, a nossa família ou até a nossa vida? Bem, curiosamente, o mecanismo é exatamente o mesmo! Começa pelas coisas pequenas, aprende a lidar com os pequenos medos e desconforto das pequenas mudanças e depois avança, com determinação, para as grandes!