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“Não consigo!” – Porque o falhanço não é o oposto do sucesso.

By 22 Fevereiro, 2019Reflexão

“Isto é uma m*rda”, disse ele depois de tentar sem sucesso, pela terceira vez, usar o novo sistema de gestão de contactos que a empresa acabara de implementar. “Não tenho jeito nenhum para esta porcaria das tecnologias, isto não é para mim”! O António, com calma, disse-lhe: “Calma pá, é só a terceira vez que o utilizas, tem paciência, há coisas que demoram a aprender. Olha eu com a condução, só passei o exame à terceira. E agora estou super descontraído atrás do volante”!

Consigo lembrar-me, agora mesmo, de umas dezenas de coisas que digo que sou mau a fazer. Coisas para as quais sinto que não tenho jeito e que são mesmo muito difíceis para mim. Aposto que também consegues lembrar-te de algumas, certo?

Pois é… e o curioso é que essas coisas estão, muitas vezes, na lista de coisas que dava mesmo jeito sermos bons a fazer, ou que iam facilitar imenso a nossa vida. De facto, muitas das coisas que dizemos ser maus a fazer, são as mesmas que nos iam permitir ter melhores relações, ter mais dinheiro, mais saúde, mais tudo! Pensa lá em 3 coisas em que dizes que és mau mas que até gostavas mesmo de conseguir…

 

Já pensaste? Isto gera uma enorme frustração, claro. Pois, por azar, logo havíamos de ser maus a fazer coisas que dão tanto jeito! Pode ser jogar à bola como um craque, ou conseguir expressar emoções, conseguir falar em público, pode ser vender com rapidez e facilidade ou ser capaz de manter a calma no meio do caos. Há tantas coisas em que é bom ser bom, não é?

 

Há uns anos li num livro do Tony Buzan que as crenças mais limitadoras nos adultos são “não sei desenhar”, “não sei cantar” e “não sei dançar”. Na realidade, todos conseguimos fazer essas coisas, só que não tem bem como as pessoas que são mesmo boas a fazê-lo. Será isto válido para todas as outras áreas?

 

“Não consigo aturar os meus filhos”, “sou uma porcaria a fazer relatórios”, “sou um fracasso a manter uma relação amorosa” talvez sejam expressões precipitadas. Talvez não seja tão bom como quem é bom, mas ainda assim consiga em alguma escala. Afinal de contas “até aturo os miúdos durante os primeiros minutos”, “os relatórios ficam mais ou menos feitos” e “a relação mantém-se durante alguns meses”!

 

O problema é eu achar que não sou bom. O problema é o significado que dou ao “isto é uma m*rda”. Se conseguir superar esse significado, olhando para aquilo que está a acontecer (ou já aconteceu) com curiosidade e de um sítio de aprendizagem, posso começar efetivamente a aprender, a melhorar, a progredir. Deixo de fracassar e passo a melhorar. Só que isto requer coragem! Sim, coragem. Deixa lá ver se consigo esquematizar a situação (não sei se consigo, mas vou fazê-lo e obter depois o teu feedback, o que me vai ajudar a fazer melhor no futuro):

  1. Tento e falho
  2. Olho para o falhanço como aprendizagem
  3. Faço outra vez, incorporando a informação do falhanço (ou seja, faço diferente, nem que seja ligeiramente)
  4. Repito o processo até conseguir

 

Repara como neste processo não há espaço para o “não consigo” nem para o “isto é uma m*rda”. Só há espaço para o “ainda não consegui”, que se transformará em “consigo” no momento em que conseguir!

Parece um raciocínio meio abstrato. Não é! É a história de todos nós e de todas as nossas realizações. É a história de todas as pessoas que conseguiram algo. Uma história que nunca chega a acontecer para quem fecha o processo de aprendizagem com o “não consigo” ou com o “isto é uma m*rda).

 

Muito importante: entre o ponto 1 e o ponto 2 surgem, naturalmente, emoções. Frustração, decepção, tristeza, cansaço, desilusão, fúria… Relaxa…Deixa-as estar, ok? Fazem parte do jogo. Sei que são convites diretos ao “isto não dá”. Espera, porém. Faz boas perguntas como “o que é que realmente quero?” ou “o que posso fazer diferente?”. Dá-te permissão para sentir essas emoções. Para que tomem conta do teu corpo temporariamente. Deixa que esse tempo se transforme em combustível. E, depois, em vez do “não consigo”, segue em frente, persistindo com resiliência rumo ao objetivo!

 

Até conseguires e dizeres “eu consigo” e “isto é um espetáculo”! Porque o falhanço não é o oposto do sucesso, mas sim parte dele 🙂

 

Se também dás por ti a dizer muitas vezes “não consigo” ou “não tenho jeito nenhum para isto”, fica atento ao próximo espisódio do Podcast Inspiração para uma Vida Mágica que vai para o ar já no próximo Domingo. 😉

One Comment

  • Ana Catarina Mendes diz:

    Pedro, estou de sorriso na boca. A sério. Porque o meu lado racional entende tudo o que escreveste e revê-se em todas as frases. Mas, cá dentro, enquanto afirmo que sim senhora, aquela vozinha diz assim: isto é tudo muito bonito, mas no meio de uma crise eu vou lá lembrar-me desta história? Pois, já sei. Treino é persistência 🙏😉

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