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Acredito na possibilidade de mudança, na ideia de que amanhã posso ser uma pessoa diferente daquela que sou hoje – diferente nas ideias, diferentes nas crenças, diferente nos resultados. Como aciono a possibilidade de estar diferente amanhã? Através das minhas escolhas agora!

Lido diariamente com pessoas que gostariam de mudar, ativando diferentes programas internos ou acedendo a mais recursos, que me dizem coisas como:

“Necessito de trabalhar mais no meu interior para poder sentir-me melhor comigo”

“Preciso de aprender a controlar melhor as minhas emoções”

“No futuro, vou ser melhor a dizer que não”

“Não sei o que quero e gostava mesmo de conseguir descobrir”

“Quando se alterar a minha situação atual, vou sentir-me bastante melhor”

Percebes qual a estrutura comum? A mudança, a descoberta, a decisão está sempre no futuro! Claro que, de acordo com as formulações linguísticas que apresentei como exemplos, a pessoa sente agora um certo alivio em relação à situação presente ou uma determinada esperança na melhoria da sua situação, porque coloca momentaneamente o foco no futuro. A mente adora esta estratégia. No fundo, no fundo, porém, é mais uma estratégia de fuga!

Quando se trata de desenvolvimento pessoal, há que ser cuidadoso ao apelar à dimensão temporal: focar no futuro é, muitas vezes, demasiado fácil. Precisamente porque o futuro nunca vai acontecer, não é? Nunca vamos experimentar verdadeiramente o futuro, pois por definição este é o tempo que ainda não aconteceu. Claro que podemos conceber o futuro e até planeá-lo, cientes de que é só um tempo mental, que não pode ser experienciado.

No meu papel de facilitador de cursos de desenvolvimento pessoal, observo frequentemente esta fórmula ser usada por parte de alguns participantes:

  1. Uau, isto faz mesmo sentido.
  2. A minha vida pode ser melhor se eu passar a fazer isto.
  3. No futuro, vou fazer isto.

Do fascínio e interesse inicial, chegou-se a uma suposta tomada de ação. A implementar quando? Num suposto futuro! Maior desafio: quando o momento “futuro” chegar, estarão em ação as poderosas forças do condicionamento passado, dos hábitos, das estratégias usuais. E, frequentemente, o “futuro” chega envolto em tanta informação mental e emocional, que só mais tarde dou pela oportunidade perdida de implementar a minha decisão.

Como evitar esta armadilha, que estendemos a nós próprios?

Resgatando a mudança enquanto um processo que acontece no presente. Quando faz sentido para nós mudar, então mudemos! Já!

Ou seja, o processo passar a ser algo como:

  1. Uau, isto faz mesmo sentido.
  2. Incorporo isto agora no meu comportamento. Vês, já estou a pensar diferente, a sentir diferente, a fazer diferente!

Que impacto tem isto, quando aplicado nos tais processos de desenvolvimento pessoal?

“Já me estou a sentir melhor comigo, agora que trabalhei no meu interior”

“Já compreendo melhor a forma como as minhas emoções me servem”

“Já estou a melhor a dizer que não. Digo agora “não” ao que não quero!”

“Descubro agora o que quero, respondo à questão sem dizer que não sei”

“Estou a sentir-me bastante melhor, o que já alterou a situação atual”

Percebes a diferença? Trata-se de começar já a fazer o que queremos, o que faz sentido em lugar de colocarmos o foco no pretenso futuro.

Como achas que funciona, internamente, com as pessoas que são boas a entrar em ação? Achas que têm uma varinha mágica, um poder especial, uma capacidade mística? Ou será que, simplesmente, começam agora e não no futuro?

Repara no que está a acontecer contigo enquanto lês este texto – o que pensaste? Que no futuro vais ser melhor a entrar em ação e a mudar? Ou estás a mudar já?

Boas reflexões! Boas mudanças!