Mais vale dar ou receber?

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  • 30 Novembro, 2015

Na nossa interação com os outros, podemos colocar o nosso foco em dar e/ou em receber. Alguns preferem colocar toda a sua atenção, exclusivamente, em receber. Outros, preferem claramente colocar toda a sua energia em dar. E há aqueles que acreditam que o melhor é colocar o seu foco, alternada ou simultaneamente nas duas coisas. E há ainda quem não se foque nem numa coisa nem noutra. O que será melhor? Partilho contigo aquilo que tenho descoberto, espero que te possa ser muito útil!

(Ao fazer isto estou a dar? A receber? As duas coisas? Ou nenhuma delas? Talvez o texto contenha a resposta)

  1. Se nos focarmos exclusivamente em receber, seremos como aquele que só quer inspirar, sustendo o ar sem expirar. Continuamente focadas em “o que é que eu ganho com isto”, “eu mereço receber mais”, “quando é que os outros me dão aquilo que me é devido”, as pessoas que colocam a sua atenção apenas no receber vão lentamente sugando o ar nos ambientes em que se deslocam: na família, no trabalho, na sociedade. Transformam-se em verdadeiros ladrões de oxigénio, uma presença que só retira sem repor, que só subtrai sem somar. Podem encher-se de dinheiro e de coisas, só que não conseguirão nunca encher-se de amor e reconhecimento: razão pela qual continuarão a esforçar os seus pulmões para inspirarem mais um bocadinho, sem perceberem que estão prestes a rebentar.
  1. Se, pelo contrário, colocarmos toda a nossa atenção no dar, esquecemo-nos de nutrir o nosso próprio sistema, como quem expira lentamente todo o ar que tem em si, esquecendo-se de inspirar depois. Com o tempo, os que apenas dão começam a perceber que a sua capacidade de dar começa a diminuir, pois não estão a tratar de si e a gerar equilíbrio nas relações. Podem até aperceber-se que as outras pessoas começar a resistir às suas dádivas: incapazes de retribuírem começam a desinteressar-se, excepção feita aos que apenas querem receber. Estes tendem a sugar tudo o que podem dos que apenas dão. Parece uma relação perfeita, só que rapidamente produz um desgaste insuportável nos que dão.
  1. Parece que uma boa solução é colocar o foco nas duas coisas, como quem expira e inspira alternadamente. Dar quando se sente que se tem capacidade instalada para o fazer, procurar receber quando se percebe que o sistema está a necessitar de ser nutrido. Desta forma consegue-se criar equilíbrio aparente nas relações e é, para muitas pessoas, a resposta mais acertada à pergunta formulada inicialmente neste texto. Há um senão, porém… Muitas vezes, nesta forma de gerir o foco, parece que a única razão do dar é o poder receber. “Cuido dos meus filhos para que um dia cuidem de mim”, “invisto para depois recolher os frutos”, “ajudo para ser ajudado”, “escrevo textos na internet para que depois me comprem coisas”, “dou muita atenção aos outros para que me deêm também a sua atenção”. O que cria espaço para explorarmos a quarta opção…
  1. Nem dar, nem receber, simplesmente ser aquilo que se é, interagindo com os outros sem o filtro de “dar e receber” ligado, sem pensar nisso! Vivendo os relacionamentos com filhos, amigos, parceiros românticos, colegas simplesmente estando presente a cada momento sem os conceitos mentais de dar e receber, prestando atenção às necessidades e desejos do momento, aos pedidos explícitos e implícitos dos outros e deixando que a energia de cada instantes nos diga o que fazer, em lugar do nosso comportamento ser movido pelas forças mentais do “estou a dar” e “estou a receber”.

É interessante como a quarta opção é, de todas, aquela que tende a gerar menos expectativas, menos cobrança, menos foco no “eu” (afinal sou “eu” que dou e “eu” que recebo) e mais sintonia com cada momento e com cada situação. Tipicamente, as pessoas que vivem mais de acordo com a quarta opção nem sequer sabem muito bem explicar qual a opção que seguem, pois não colocam aí o seu foco, demasiado embrenhadas que estão no “agora” em que se deslocam.

E começam a viver esta realidade mágica: dão quando recebem e recebem quando dão!

Pessoalmente, posso dizer-te que é maravilhoso observar a sensação de liberdade que inunda aquele que deixa de colocar o seu foco no “dar e/ou receber” e passa a estar mentalmente ocupado com o “aqui e agora”.

 

Pedro

 

PS Uma boa aprendizagem pode resultar de observares em ti a reação que tens à leitura de cada uma das opções. É que, de acordo com aquela que tenhas mais ativada, maior poderá ter sido a resistências às outras. Just saying…

One Comment

  • Sérgio Rito diz:

    Perfeito!
    Também nos podemos questionar se, das pessoas que não se focam nem numa nem noutra coisa, conseguem realmente dar e receber de forma equilibrada, sendo o equilíbrio subjectivo. Ou seja, ao não estarem focadas em dar ou receber, se poderão estar a ser “sugadas” pelos que se focam no receber (de acordo com as descrições dadas no texto). Será que só se apercebem demasiado tarde ou sequer relacionam esse desequilíbrio a essa situação?

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