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Há dois grandes dias na vida de uma pessoa!

By 11 Junho, 2019Reflexão

Quando li pela primeira vez estas palavras do teólogo escocês William Barclay, fiquei entusiasmado: já tinha vivido o primeiro desses grande dias em 1975, mas ainda não tinha tido a oportunidade de viver o segundo! Ou seja, não sabia “o porquê” de ter nascido. Mais tarde, ao ler livros de desenvolvimento pessoal, comecei a deparar com conceitos importantes e que remetiam para esse “porquê”. Falava-se de “propósito de vida”, de “legado”, de “missão”. E descreviam-se essas coisas como as mais importantes, aquelas sem as quais a minha vida não faria grande sentido. Ou pelo menos não tanto sentido quanto poderia fazer soubesse eu qual era o meu propósito.

Não foi por acaso, aliás, que quando criei o meu primeiro método de exploração (ou de desenvolvimento pessoal, confirme lhe queiram chamar), propus que o passo inicial era, precisamente, o da Ligação ao Propósito. Afirmando assim que tudo começava nessa poderosa conexão com a grande missão a desempenhar por cada um nesta vida.

Conforme fui falando com mais e mais pessoas sobre este tema descobri algo inesperado. Bem, inesperado para mim e baseado na minha falta de capacidade para conceber mapas mentais diferentes do meu. Para muitas pessoas, a ideia de que existe um propósito a descobrir, uma missão a desvendar, um legado a deixar, é aterradora! Pois têm muita dificuldade em intuir que “verdade” última será essa e aprendem, à luz desses conceitos, a olhar para a sua vida atual como um desperdício de tempo e oportunidade. De facto, se existe um propósito maior para a minha existência, de que servirá passar anos e anos a trabalhar num caixa de supermercado? Se existe uma missão a desempenhar, para que serve gastar boa parte da minha vida a tratar da casa? Se o importante é descobrir o “porquê” das nossas vidas, que desperdício maior poderá existir do que investir a maior parte do tempo acordado a fazer coisas de que não gosto?

Há quem descubra um alívio momentâneo na ideia de que o propósito não se encontra e sim se decide. Isso permite ter um aparente controlo sobre o processo. Ainda assim, o que me garante que estou a decidir bem? Bolas, nova depressão existencial…

Depois de muitas centenas de conversas sobre o tema, percebi que algumas ideias nos podiam dar algum conforto a respeito deste tema. Explora-as por uns instantes e vê se são úteis para ti! (Já agora, se tens algo a que escolheste chamar de propósito de vida e encontras nessa ideia força e felicidade, segue com ela, ok?)

– talvez o propósito da tua vida seja viveres a vida que estás a viver, com todas as inseguranças, receios, desejos e anseios que estás a experimentar agora.

– talvez o propósito de vida esteja relacionado com aprender a relacionar-se bem com a vida tal como ela se nos apresenta a cada momento; se não sei qual é o meu propósito, então talvez o propósito seja aprender a lidar bem com isso.

– talvez o meu legado não seja assim tão importante, talvez a real importância esteja na elevação da minha consciência.

– talvez as minhas intuições e sentimentos sejam indicadores mais fiáveis daquilo que é importante do que pensar sobre isso usando conceitos, números e factos.

– talvez o único propósito da vida seja permitir-nos usufruir da vida.

Que outras ideias são benéficas para ti quando se trata de lidar com esta questão? Por mim, desde que não instalem a ideia de que a minha vida não tem valor suficiente, que existe um valor moral aumentado em ser diferente ou que há versões melhores de mim do que aquilo que sou, então as ideias são muito bem-vindas!

Ah, e talvez gostes de ouvir o episódio #102 do Podcast Inspiração Para Uma Vida Mágica, em que conversei longamente com a Mia sobre este tema.

 

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