Gosto ou não gosto de mim?

By 18 Janeiro, 2016Reflexão

Ouves, certamente, muitas vezes a expressão “auto-estima”. Afinal, o que é? E a tua é alta ou baixa? De onde vem e para onde vai? Nas próximas linhas partilho algumas ideias sobre o assunto. Aposto que te vão ser úteis!

Em palavras simples, a auto-estima é a estima ou gosto pelo próprio. Gostas de ti? Então tens uma auto-estima elevada! Repara que gostar de “mim” implica o acesso emocional (gostar) associado a um conceito abstracto (eu). O que é exatamente gostar? E o que é o “eu” de quem se gosta? Proponho que, para efeitos desta discussão, aceitemos que gostar é um sentimento agradável associado a algo. E que “eu” é uma construção mental que reúne um conjunto de percepções mais ou menos abstratas sobre aquilo que a pessoa é. Ou seja, “eu” é uma forma de resumir aquilo que “sou”. (Bem, só isto já dava uma bela de uma discussão, não era? Fica para outras entradas do blogue…)

Então como podemos saber se a auto-estima de alguém é saudável ou está em falta? Proponho um teste. Pensa numa situação recente em que alguém te fez comentários sobre algo que fizeste ou sobre a qualidade de algum dos teus comportamentos. Como te sentiste? Esse sentimento é produto, sobretudo, da tua auto-estima (muito mais, curiosamente, do que dos tais comentários dos outros). Sentimentos de insegurança, medo, agressividade ou raiva podem ser reflexo de falta de auto-estima. Sentimentos de curiosidade, abertura, interesse ou tranquilidade podem ser sinais de uma auto-estima saudável!

(sim, eu sei que estou a simplificar; e também sei que tu sabes que estou a simplificar)

Quando alguém tem falta de auto-estima tende a ver nos outros, com facilidade, ataques à sua pessoa (ao tal “eu” de que não gosta). Assim, perante um comentário do género “não gostei da forma como olhaste para mim”, tende a ter uma reação que demonstra que o seu frágil “eu” se sentiu imediatamente posto em causa pelo comentário. No fundo, como não gosta de si, a pessoa sente imediatamente que o tal “eu” fraco ou odioso acabou de ser exposto pelo outro. Pode reagir com:

  • excessiva submissão – “peço desculpa, não olho mais”
  • vontade de contra-atacar – “como se tu não tivesses olhado para mim primeiro”
  • justificações – “eu só olhei assim para ti porque tive um dia difícil”
  • culpa – “eu estrago sempre as relações, já devias saber isso”

Ou de muitas outras formas que demonstram o desconforto imediato que é sentido face a um comentário sobre o seu comportamento. No fundo, surge uma imediata necessidade de defesa, vitimização ou até vingança que apenas reflete a fragilidade do “eu”, posto em causa por qualquer pequena coisa.

Com uma auto-estima saudável, a mesma pessoa poderia reagir demonstrando:

  • genuíno interesse pelo outro – “fiquei interessado na forma como isso te fez sentir”
  • aceitação – “pois é, o meu olhar não deve ter parecido nada simpático”
  • vontade de melhorar – “para a próxima vou olhar de outra forma, pois quero mesmo ajudar”
  • vontade de brincar – “ainda consigo fazer olhares muito piores, mas não sei se consegues aguentar, ora vê este”
  • etc

Outro teste fundamental ocorre quando a pessoa enfrenta uma circunstância adversa (um resultado negativo num teste, uma promoção desejada e que não foi alcançada, um acidente provocado por si, uma falha no cumprimento de uma tarefa familiar ou profissional, etc). Mais uma vez, pensa em situações deste género que tenham acontecido contigo nos últimos tempos e pensa no tipo de pensamentos que tiveste e na forma como reagiste emocionalmente

A minha experiência como coach tem-me demonstrado que o nível da auto-estima é altamente determinado pela forma como, nos primeiros anos de vida, a pessoa criou o conceito do “eu” – o que é muito influenciado pela família e restantes educadores. Pessoas que receberam muitas mensagens estruturantes do género “gosto de ti pelo que és, independentemente do que fazes ou de como fazes” e “o teu valor é inerente à tua existência, não depende de nenhum comportamento ou resultado” demonstram, naturalmente, auto-estimas saudáveis, grande resiliência face à adversidade e ótimas condições para estabelecerem relações positivas com os outros. A maior parte das pessoas não parece ser, de facto, assim. O que pode significar que têm falta de auto-estima e que esta pode estar alicerçada em crenças limitadoras sobre quem são (o tal “eu”) e sobre o seu valor, incutidas na infância.

O que fazer para ganhar auto-estima? Rever os conceitos do “eu” (o que pode implicar uma profunda descoberta da verdadeira natureza humana), rever as crenças sobre o valor próprio. Muitas destas atividades podem ser realizadas através do estudo do Coaching, da PNL e do Mindfulness, uma das razões pela quais tanto gosto destas áreas do conhecimento!

Ah, e se tens crianças a teu cargo, pf contribui positivamente para a sua auto-estima: é a coisa mais importante que podes fazer por elas! (uma bela ajuda para fazer isto é o livro Educar com Mindfulness, da Mia)

Pessoalmente, comecei a entender melhor as minhas reações emocionais ao mundo como produto, sobretudo, da minha auto-estima a partir do momento em que comecei a estudar Programação Neuro Linguística – se quiseres saber mais sobre isto clica aqui.

Fica bem, reflete muito e… apaixona-te por ti e pela tua imperfeita perfeição – vais ver como o mundo reage!

4 Comments

  • Paulo Jorge diz:

    Olá Pedro,
    Tenho um filho com 17 anos, e está a atravessar uma fase complicada, com as suas primeiras desilusões amorosas e problemas de auto-estima. Li este teu texto e pensei que seria bom para ele ler.
    Gostava de solicitar a sua autorização para o transcrever para o meu blog, que sei que ele lê, devidamente salvaguardados os dados de autoria, claro.

    Um abraço, um obrigado.

    Paulo Jorge

  • Clara Salgado diz:

    O texto é muito interessante e totalmente aplicável num mundo em que se vive da imagem – a imagem que projectamos e pretendemos ver reconhecida.

    Recordo-me dos primeiros tempos em que comecei a trabalhar e ainda vivia na utopia de querer «agradar a todos»… Até que percebi que isso não era possível. Nem desejável, dado que implicaria comprometer alguns Valores que considerava (e considero) estruturantes.

    E fui passando inexoravelmente para outra fase: faço o que acho que é importante/necessário fazer, sorrindo e explicando quando não agrada a alguém.

    De resto, tudo depende de «quem» falou mal. Como diria um político da nossa praça: «não é qualquer um que me ofende».

  • Magda Cruz diz:

    Obrigada Pedro por este texto!

    Tudo o que dizes é tão verdade! Mas muitas vezes é preciso lermos ou que outros nos digam para nos fazer o “click”, para despertarmos de modo a reflectirmos sobre o assunto.

    Mais uma vez obrigada!

  • […] Lê aqui: Gosto ou Não Gosto de Mim […]

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