);

“Detesto o meu trabalho!” – Será?

By 1 Fevereiro, 2019Reflexão

“Detesto o meu trabalho!” Esta é uma afirmação que ouço com alguma frequência. É aliás um dos motivos que leva muitas pessoas (e até empresas) a procurar coaches com a intenção de encontrar uma solução.

O tema é comum e, ou já o experimentaste, ou conheces alguém que está a passar por isso.

Dizer que, neste preciso momento, milhares de pessoas dizem não gostar do seu trabalho, é uma afirmação dura, porém verdadeira. Li há pouco tempo com algum espanto que, um estudo levado a cabo pela Gallup (uma empresa de análise e consultoria) ao longo dos últimos anos, revela que a percentagem de pessoas que afirma gostar do que fazem não passa de 10% para a Europa ocidental.

Algumas, chegam mesmo a detestar o que fazem profissionalmente, o que se reflete na falta de energia e motivação para desempenhar as tarefas necessárias, na falta de produtividade, no (mau) humor e, não menos vezes, nas relações familiares quando descarregamos toda essa frustração naqueles de quem mais gostamos.

Mas, sabendo que em muitas outras áreas da vida, quando não gostamos de algo simplesmente não o fazemos, porque há-de ser tão diferente com o trabalho?

Bem, as razões parecem mais ou menos óbvias – ou pelo menos assim me dizem as pessoas a quem lanço esta questão. Antes de lhes chegar, porém, quero entender melhor o que quer dizer esse tal de “não gosto do meu trabalho”. Pois pode querer dizer muitas coisas diferentes, não é?

Talvez não goste especificamente de algumas tarefas ou não goste de nenhuma tarefa, talvez não me agrade a empresa onde trabalho ou não goste da profissão no seu todo, talvez nunca tenha gostado do que faço ou apenas tenha desenvolvido recentemente esta aversão. Talvez esteja simplesmente cansado. Ou desmotivado. O que é diferente de não gostar, não é?

  • “Estou farta, mesmo farta. Não gosto deste trabalho”!
  • “De que é que não gostas”?
  • “Do trabalho, já te disse. Estou desmotivada, de manhã não me apetece vir para cá. Só sonho com sexta-feira ao fim da tarde. Isso é que é bom”.
  • “De que não gostas especificamente? Das tarefas? Das pessoas? Da pressão”?
  • “Não sei bem. Não gosto, percebes? Não sinto motivação”.

A primeira coisa a fazer, então, é entender exatamente o que quer dizer esse “não gosto”. Identificar o que é que está na base dessas sensações desagradáveis. E que nos podem, ao pouco, consumir a vitalidade. Afinal de contas, há poucas coisas mais drenantes do que acordar sem vontade de ir trabalhar e mesmo assim ir, ainda que com aquele nó no estômago. Chegar ao trabalho sem vontade de começar e mesmo assim iniciar, ainda que procrastinado o início com 2 cafés. Arrastar-se de tarefa em tarefa olhando o relógio para saber quanto tempo falta até à próxima pausa. Aguentar intermináveis reuniões ou discussões e aturar colegas e chefes com quem não temos empatia. Fazer de conta que somos produtivos só para não arranjarmos problemas e nos lixarem a cabeça. Sorrirmos sem vontade a clientes que nos irritam, participar em sessões de motivação quando só queremos correr dali para fora e receber um salário que achamos injusto ou insuficiente.

Um inferno! – dizem-me muitos.

Pois bem, há que – com algum afastamento emocional – perceber exatamente o que é um inferno para nós. De que não gostamos especificamente? E já agora, há coisas (tarefas, colegas, área de negócio, experiências) de que gostamos, mesmo não gostando do trabalho?

Há que parar tudo – aproveitando um fim-de-semana ou uma qualquer outra pausa – e definir como seria o trabalho de sonho para nós, com honestidade e sem julgamento. Sabendo que, para muitos, esse trabalho de sonho implicará trabalhar poucas horas (ou até nenhumas, why not?), em locais paradisíacos, com colegas excecionais, chefes motivadores e empáticos, salários chorudos e regalias fora-de-série. Quando se desenha aquilo com que sonhamos, podemos mesmo mergulhar no sonho! Este é um exercício maravilhoso e a que a maior parte das pessoas, curiosamente, resiste imenso…

  • “Isto está tudo errado, não dá para trabalhar aqui, é uma desorganização”!
  • “Ok, como gostavas então que fosse”?
  • “Não estás a perceber. O chefe é um azelha”.
  • “Ok, mas como gostavas que fosse? Como gostavas que estivesse organizado? O que farias se fosses o chefe”?
  • “Agora ainda tenho de resolver as asneiras dos outros, não”?
  • “Esquece por uns instantes o que está a acontecer. Diz-me lá como seria se tudo fosse perfeito. Como seria o teu trabalho de sonho, no fundo”.
  • “Oh, o que eu sei é que assim não dá. E tenho de aguentar, que arranjar outro trabalho não é fácil”.

O que procuras no teu trabalho que não estás a receber? Reconhecimento? Conexão? Segurança? Novidade?

Será que é mesmo do trabalho em si que não gostas?

Liberta-te!

Sem saber do que não gostamos e sem saber do que gostamos, torna-se difícil chegar ao desenho de estratégias vencedoras que nos possam permitir ter uma vida profissional agradável, motivadora, que realmente nos realize (e também nos permita pagar mais do que as contas)!

Por isso, escreve, faz uma lista e mantém uma conversa com alguém que te possa ajudar a ganhar uma boa perspetiva sobre o que está a acontecer ou o que gostarias que acontecesse. Esse é, afinal, o primeiro passo de qualquer processo de coaching.

Depois, podes passar à parte mais fascinante: mudar!

E é precisamente sobre este tema que eu e a Mia vamos falar no próximo episódio do Podcast Inspiração para uma Vida Mágica que irá para o ar já no próximo Domingo. Fica atento!

Leave a Reply