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Há dois grandes dias na vida de uma pessoa!

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Quando li pela primeira vez estas palavras do teólogo escocês William Barclay, fiquei entusiasmado: já tinha vivido o primeiro desses grande dias em 1975, mas ainda não tinha tido a oportunidade de viver o segundo! Ou seja, não sabia “o porquê” de ter nascido. Mais tarde, ao ler livros de desenvolvimento pessoal, comecei a deparar com conceitos importantes e que remetiam para esse “porquê”. Falava-se de “propósito de vida”, de “legado”, de “missão”. E descreviam-se essas coisas como as mais importantes, aquelas sem as quais a minha vida não faria grande sentido. Ou pelo menos não tanto sentido quanto poderia fazer soubesse eu qual era o meu propósito.

Não foi por acaso, aliás, que quando criei o meu primeiro método de exploração (ou de desenvolvimento pessoal, confirme lhe queiram chamar), propus que o passo inicial era, precisamente, o da Ligação ao Propósito. Afirmando assim que tudo começava nessa poderosa conexão com a grande missão a desempenhar por cada um nesta vida.

Conforme fui falando com mais e mais pessoas sobre este tema descobri algo inesperado. Bem, inesperado para mim e baseado na minha falta de capacidade para conceber mapas mentais diferentes do meu. Para muitas pessoas, a ideia de que existe um propósito a descobrir, uma missão a desvendar, um legado a deixar, é aterradora! Pois têm muita dificuldade em intuir que “verdade” última será essa e aprendem, à luz desses conceitos, a olhar para a sua vida atual como um desperdício de tempo e oportunidade. De facto, se existe um propósito maior para a minha existência, de que servirá passar anos e anos a trabalhar num caixa de supermercado? Se existe uma missão a desempenhar, para que serve gastar boa parte da minha vida a tratar da casa? Se o importante é descobrir o “porquê” das nossas vidas, que desperdício maior poderá existir do que investir a maior parte do tempo acordado a fazer coisas de que não gosto?

Há quem descubra um alívio momentâneo na ideia de que o propósito não se encontra e sim se decide. Isso permite ter um aparente controlo sobre o processo. Ainda assim, o que me garante que estou a decidir bem? Bolas, nova depressão existencial…

Depois de muitas centenas de conversas sobre o tema, percebi que algumas ideias nos podiam dar algum conforto a respeito deste tema. Explora-as por uns instantes e vê se são úteis para ti! (Já agora, se tens algo a que escolheste chamar de propósito de vida e encontras nessa ideia força e felicidade, segue com ela, ok?)

– talvez o propósito da tua vida seja viveres a vida que estás a viver, com todas as inseguranças, receios, desejos e anseios que estás a experimentar agora.

– talvez o propósito de vida esteja relacionado com aprender a relacionar-se bem com a vida tal como ela se nos apresenta a cada momento; se não sei qual é o meu propósito, então talvez o propósito seja aprender a lidar bem com isso.

– talvez o meu legado não seja assim tão importante, talvez a real importância esteja na elevação da minha consciência.

– talvez as minhas intuições e sentimentos sejam indicadores mais fiáveis daquilo que é importante do que pensar sobre isso usando conceitos, números e factos.

– talvez o único propósito da vida seja permitir-nos usufruir da vida.

Que outras ideias são benéficas para ti quando se trata de lidar com esta questão? Por mim, desde que não instalem a ideia de que a minha vida não tem valor suficiente, que existe um valor moral aumentado em ser diferente ou que há versões melhores de mim do que aquilo que sou, então as ideias são muito bem-vindas!

Ah, e talvez gostes de ouvir o episódio #102 do Podcast Inspiração Para Uma Vida Mágica, em que conversei longamente com a Mia sobre este tema.

 

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Sempre que crias uma coisa, crias também o seu contrário

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A primeira vez que li isto, fritei um bocado! Demorei umas semanas a entender o que esta afirmação simples queria realmente dizer. De facto, trata-se de utilização direta de pensamento lógico. E compreender isto pode, de facto, ter um impacto enorme nas nossas vidas emocionais. Pode evitar até que criemos um enorme conjunto de afirmações implícitas que nos bloqueiam, que nos impedem de sentir realmente bem e lançam confusão e sombra na nossa mente. Acho que vale mesmo a pena acompanhares-me neste texto 😉

Quando fazes uma afirmação avaliativa, dizendo por exemplo que “esta comida é a melhor de sempre” ou “a bebida é demasiado doce” estás, implicitamente, a fazer uma série de afirmações contrárias:

  1. Se “esta comida é a melhor de sempre” então nenhuma outra comida pode ser a melhor de sempre.
  2. Se “a bebida é demasiado doce” então há outras bebidas que “não são demasiado doces”.

Quando aplicas este mesmo conceito – a Lei da Polaridade, que afirma que tudo tem o seu oposto – a atividades abstratas, começas a entender melhor para onde quero levar esta reflexão. Imagina que fazes as seguintes afirmações:

“Adoro quando fazes desenhos tão bonitos”.

“Estou tão grato por me teres oferecido esta viagem”.

“Sinto-me completo quando a família está assim reunida”.

Quais são os opostos que foram criados com estas afirmações? Volta atrás e procura descobri-los… Que efeitos podem ter? Especulemos:

– “Adoro quando fazes desenhos bonitos” cria opostos como “não adoro quando não fazes desenhos bonitos”.

– “Estou tão grato por me teres oferecido esta viagem” cria opostos como “não estaria grato se não me tivesses oferecido esta viagem”.

– “Sinto-me completo quando a família está assim reunida” cria opostos como “sinto-me incompleto quando a família não está assim reunida”.

As afirmações que são criadas implicitamente são igualmente processadas pelo nosso sistema mental, que tem uma capacidade lógica fascinante. É por isso que convém ter cautela com a utilização de elogios ou com as manifestações de orgulho, por exemplo! (sobre este tema podes ler bastante no livro da Mia, “Educar com Mindfulness”).

Outra coisa a que convém prestar alguma atenção extra, à luz deste exercício que te estou aqui a propor, é a manifestação da gratidão. Se estou grato apenas em determinadas situações, crio implicitamente ingratidão em relação aos momentos em que não estão presentes as coisas pela quais manifestei gratidão. Ora faz lá uma lista de 10 coisas pelas quais sentes gratidão na tua vida e estuda depois as afirmações implícitas… Deixa-me dar-te um exemplo:

“Estou mesmo grato por ter dinheiro suficiente para pagar as minhas despesas mensais”.

O que afirmei implicitamente? Talvez que “não estaria grato se não tivesse dinheiro suficiente para pagar as minhas despesas mensais”.

Investiga se isto faz sentido para ti e, se utilizas habitualmente listas de gratidão (eu utilizo!), olha para elas com sentido critico, entende as afirmações implícitas que estás a fazer e faz uns ajustamentos nas listas!

Ah, e se queres saber explorar mais sobre este tema da gratidão, ouve o próximo Podcast IVM! Fica a dica 🙂

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Quando não nos apercebemos dos sinais de desgaste de uma relação

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“Não estava nada à espera”! As palavras ecoaram pela sala, onde estávamos apenas os dois, em cadeiras separadas por uma mesa pequena. Ele baixou a cabeça e manteve o silêncio por uns segundos. Endireitou as costas, encheu o peito e levantou o queixo. Anunciou então que: “ela devia-me ter dito alguma coisa, não é assim que se fazem as coisas, entrar por ali adentro e dizer, de repente que o casamento estava acabado e que já não dava mais e que nem acreditava que eu não tinha percebido que as coisas estavam naquele estado”. Read More

Porque me corre tudo mal?

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O estrondo da porta a bater ouviu-se no prédio todo. Atirou com os sapatos contra o chão, antes de encostar a cabeça no punho apoiado na parede. Cerrou os dentes e deixou escapar um grunhido. Jogou-se de costas contra a porta e deixou-se escorregar até ficar sentado. Como posso ser tão burro? Horas antes, na reunião semanal do departamento, corou na hora de responder a uma pergunta do chefe. Levou uma mão à cara, quente como se estivesse com febre. Gaguejou e acabou por dizer que não sabia a resposta. Só que eu sabia a resposta! Passou a tarde a fulminar-se com questões contundentes e avaliações carregadas de crítica. Agora, prostrado na entrada do seu apartamento, abanava a cabeça em sinal de incredulidade. Como posso ser tão burro? Read More