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Sempre que crias uma coisa, crias também o seu contrário

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A primeira vez que li isto, fritei um bocado! Demorei umas semanas a entender o que esta afirmação simples queria realmente dizer. De facto, trata-se de utilização direta de pensamento lógico. E compreender isto pode, de facto, ter um impacto enorme nas nossas vidas emocionais. Pode evitar até que criemos um enorme conjunto de afirmações implícitas que nos bloqueiam, que nos impedem de sentir realmente bem e lançam confusão e sombra na nossa mente. Acho que vale mesmo a pena acompanhares-me neste texto 😉

Quando fazes uma afirmação avaliativa, dizendo por exemplo que “esta comida é a melhor de sempre” ou “a bebida é demasiado doce” estás, implicitamente, a fazer uma série de afirmações contrárias:

  1. Se “esta comida é a melhor de sempre” então nenhuma outra comida pode ser a melhor de sempre.
  2. Se “a bebida é demasiado doce” então há outras bebidas que “não são demasiado doces”.

Quando aplicas este mesmo conceito – a Lei da Polaridade, que afirma que tudo tem o seu oposto – a atividades abstratas, começas a entender melhor para onde quero levar esta reflexão. Imagina que fazes as seguintes afirmações:

“Adoro quando fazes desenhos tão bonitos”.

“Estou tão grato por me teres oferecido esta viagem”.

“Sinto-me completo quando a família está assim reunida”.

Quais são os opostos que foram criados com estas afirmações? Volta atrás e procura descobri-los… Que efeitos podem ter? Especulemos:

– “Adoro quando fazes desenhos bonitos” cria opostos como “não adoro quando não fazes desenhos bonitos”.

– “Estou tão grato por me teres oferecido esta viagem” cria opostos como “não estaria grato se não me tivesses oferecido esta viagem”.

– “Sinto-me completo quando a família está assim reunida” cria opostos como “sinto-me incompleto quando a família não está assim reunida”.

As afirmações que são criadas implicitamente são igualmente processadas pelo nosso sistema mental, que tem uma capacidade lógica fascinante. É por isso que convém ter cautela com a utilização de elogios ou com as manifestações de orgulho, por exemplo! (sobre este tema podes ler bastante no livro da Mia, “Educar com Mindfulness”).

Outra coisa a que convém prestar alguma atenção extra, à luz deste exercício que te estou aqui a propor, é a manifestação da gratidão. Se estou grato apenas em determinadas situações, crio implicitamente ingratidão em relação aos momentos em que não estão presentes as coisas pela quais manifestei gratidão. Ora faz lá uma lista de 10 coisas pelas quais sentes gratidão na tua vida e estuda depois as afirmações implícitas… Deixa-me dar-te um exemplo:

“Estou mesmo grato por ter dinheiro suficiente para pagar as minhas despesas mensais”.

O que afirmei implicitamente? Talvez que “não estaria grato se não tivesse dinheiro suficiente para pagar as minhas despesas mensais”.

Investiga se isto faz sentido para ti e, se utilizas habitualmente listas de gratidão (eu utilizo!), olha para elas com sentido critico, entende as afirmações implícitas que estás a fazer e faz uns ajustamentos nas listas!

Ah, e se queres saber explorar mais sobre este tema da gratidão, ouve o próximo Podcast IVM! Fica a dica 🙂

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Quando não nos apercebemos dos sinais de desgaste de uma relação

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